Oito em cada dez brasileiros apoiam que os bancos bloqueiem transações acima de determinado valor, sem a permissão prévia do cliente, quando houver suspeita de golpe. Uma proporção idêntica de 80% também aprova que operadoras de telecomunicações e aplicativos de mensagens restrinjam chamadas e comunicações consideradas maliciosas.
Os dados, que integram o relatório “O Estado dos Golpes Brasil 2026” da Global Anti-Scam Alliance (GASA), sugerem um consenso em torno da adoção de medidas protetivas rigorosas.
No entanto, ao avançar na mesma bateria de perguntas do estudo, nota-se uma perspectiva distinta em relação à limitação do acesso à internet para pessoas com mais de 80 anos, uma proposta que apresenta um contraste nas opiniões, com 43% de rejeição e 39% de apoio.
Decisões calibradas: o equilíbrio entre segurança e personalização
A análise dessas respostas sinaliza o que a população parece disposta a aceitar em prol da própria segurança, delineando uma preferência por intervenções baseadas em contexto.
O público tende a compreender a ação das instituições financeiras e de telecomunicações, desde que ela ocorra de forma direcionada, em vez de aplicar restrições amplas a grupos demográficos inteiros.
Para quem lidera áreas de produto e finanças, essa distinção pode transformar uma discussão eminente técnica sobre limiares de risco em uma reflexão estratégica sobre a confiança que fundamenta o relacionamento com o usuário.
A pergunta que obteve 80% de aprovação sugere o bloqueio de transações acima de um determinado valor diante da suspeita de um golpe, o que pressupõe a existência de critérios e análises individuais. A resposta da população parece endossar uma decisão calibrada, indicando que o brasileiro tende a validar intervenções embasadas em avaliações de comportamento. Em contrapartida, restringir o acesso à internet por faixa etária representaria a aplicação de um filtro genérico, sem observar o histórico de cada usuário.
Nesse contexto, um dos artigos publicados no relatório interpreta o alto apoio popular como um recado a favor do bloqueio preventivo. Trata-se de uma leitura pertinente e, de certa forma, compartilhada pelo setor: artigos de instituições como Google, Santander e Febraban presentes no mesmo documento também focam esforços na capacidade de interceptar e agir diante de transações em tempo real.
No entanto, os dados da pesquisa indicam um elemento a se ponderar no mercado: a expectativa por precisão. A contenção de fraudes é vital, mas eventuais fricções geradas para clientes legítimos podem representar um fator que merece observação mais atenta por parte das operações financeiras.
A evolução da prevenção: proteção financeira e experiência do usuário
O ecossistema de prevenção atua continuamente na busca por mitigar ameaças reais e preservar a fluidez para clientes autênticos. O debate público brasileiro tem se concentrado na contenção de incidentes, movimento impulsionado pelas estimativas do relatório, que apontam perdas superiores a R$ 21 bilhões anuais e destacam que 26% das fraudes com impacto financeiro se concretizam em questão de minutos.
O próprio documento da GASA ilustra a prioridade dada à agilidade operacional. Os oito artigos de especialistas convidados — assinados por AGU, Google, Febraban, Anatel, Nasdaq Verafin, Santander, Fenasbac e INCC — abordam temas como velocidade de resposta, cooperação entre setores, uso de inteligência artificial em tempo real, regulação e letramento digital. O avanço dessa agenda abre espaço para que o mercado expanda a reflexão no sentido de otimizar a experiência do cliente, observando o impacto de atritos indesejados na jornada.
As instituições bancárias figuram de forma positiva na pesquisa da GASA, alcançando 48% de menções favoráveis nos quesitos de bloqueio e prevenção de pagamentos entre os 105 entrevistados que as apontam como as principais responsáveis por essa proteção. Esse indicador sugere que o setor construiu um capital de confiança. Para cultivar esse reconhecimento, o refinamento contínuo dos modelos de análise pode contribuir para um ambiente seguro, buscando evitar operações abandonadas ou a diminuição do engajamento com os serviços financeiros.
Inteligência e governança: novas perspectivas de análise
Parte expressiva das instituições monitora os valores envolvidos em incidentes de segurança. A aplicação de métricas equivalentes para medir o impacto das medidas de contenção na base de usuários legítimos representa uma possibilidade de evolução na gestão.
Ao integrar essas duas dimensões, a definição de políticas de risco pode ultrapassar o escopo técnico e agregar-se à visão estratégica de negócios, envolvendo os objetivos de produto e finanças. Essa dinâmica proporciona dados para fundamentar tomadas de decisão que contemplem o impacto das ações preventivas.
No aspecto tecnológico, o aprimoramento na distinção entre comportamentos atípicos e transações genuínas passa pela análise detalhada do histórico do cliente, utilizando a inteligência contextual como alternativa às categorizações genéricas. Essa abordagem parece espelhar o anseio captado na pesquisa, em que intervenções direcionadas encontram maior respaldo.
Sob a ótica da governança corporativa, manter os modelos em constante avaliação oferece subsídios para revisões estruturadas, favorecendo a transparência e o alinhamento com entes reguladores.
FraudGate: orquestração avançada na prática
O setor financeiro brasileiro tem buscado fortalecer os mecanismos para agir preventivamente na proteção dos recursos de seus clientes. A etapa atual envolve demonstrar que essas ações podem ser exercidas com precisão, buscando blindar o ecossistema e manter a conveniência do consumidor.
Compreendendo que ações em grande volume requerem sofisticação qualitativa, a Duranium desenvolveu a plataforma FraudGate.
A solução foi arquitetada para colaborar com a busca do mercado por segurança e fluidez, utilizando múltiplos motores para orquestrar e enriquecer cada transação.
O módulo Cortex pontua operações em menos de 500 milissegundos, utilizando modelos de machine learning e regras de negócio para fornecer decisões explicáveis. O Void agrega informações a essa avaliação, cruzando dados de mais de 67 milhões de CNPJs em um grafo societário. Para apoiar a eficiência operacional, o Autopilot emprega agentes de Inteligência Artificial que investigam filas 24 horas por dia, buscando direcionar o foco da equipe humana para casos de maior complexidade.
Adicionalmente, a plataforma FraudGate permite que as instituições utilizem o sistema em Shadow Mode. Essa funcionalidade possibilita acompanhar o fluxo de transações em paralelo à esteira atual da instituição, avaliando divergências analíticas e mapeando impactos potenciais na jornada do cliente antes de eventuais implementações definitivas. Trata-se de uma arquitetura projetada com o intuito de aliar capacidade analítica, conformidade e atenção à experiência do usuário brasileiro.
Fonte dos dados: GASA, Relatório O Estado dos Golpes Brasil 2026 (www.gasa.org)


