Quando um sistema liquida transferências em segundos, a experiência do cliente atinge um novo patamar de excelência. Por outro lado, essa agilidade demanda a revisão imediata dos modelos de risco das instituições. O relatório “O Estado dos Golpes Brasil 2026”, da Global Anti-Scam Alliance (GASA), permite dimensionar esse desafio no cenário nacional.
O levantamento revela que 81% dos adultos tiveram contato com tentativas de golpes no último ano, com uma média de mais de 200 abordagens por indivíduo. O impacto se estende: estima-se que mais de 16,5 milhões de brasileiros sofreram perdas financeiras, acumulando valores que ultrapassam a marca de R$ 21 bilhões.
O estudo consolida percepções de especialistas, oferecendo visões relevantes para decisores de tecnologia e finanças. Mauriceo Castanheiro, vice-presidente de fraudes em pagamentos internacionais da Nasdaq Verafin, pondera que a trajetória do Brasil não é uma exceção; todos os mercados que incorporam liquidações em tempo real tendem a cruzar esse mesmo marco de inflexão.
Diante de um desafio compartilhado, o diferencial estratégico passa a ser o tempo de adaptação. O mercado brasileiro atravessou esse limiar em escala massiva, estruturando respostas por meio de inovações regulatórias, mecanismos de devolução de ativos e o mapeamento de amplas bases de comportamento transacional. A vanguarda do país não se dá apenas pelo lançamento de infraestruturas, mas sobretudo pela intensidade das demandas que precisaram ser endereçadas.
A assinatura do novo cenário de risco
A pesquisa delineia a dinâmica desse novo formato de operação ilícita. Dentre as vítimas que reportaram perdas, 26% indicam que o golpe ocorreu em questão de minutos, enquanto 42% dos casos se consumaram em até um dia após o primeiro contato. Em relação aos fluxos, 54% dos valores foram movimentados por métodos de pagamento imediato. A utilização de aplicativos de transação instantânea responde por 32% dos casos no Brasil, frente à média de 14% registrada na América Latina.
A análise requer atenção a duas frentes centrais. A primeira é que as transferências tradicionais continuam expressivas, representando 33% dos casos, o que indica que o verdadeiro desafio é a janela de tempo disponível para decisão, não necessariamente a exclusividade de um único canal. O segundo ponto é a origem da fraude: a abordagem inicia, em sua maioria, fora do ambiente bancário. As ocorrências principiam em chamadas telefônicas (53%) ou aplicativos de mensageria (49%). Quando a operação chega aos sistemas das instituições, é frequentemente chancelada pelo próprio cliente, induzido por engenharia social externa. A interseção entre o imediatismo da liquidação e as abordagens extra-canal forma o núcleo desse marco de transição para o mercado global.
Estruturação institucional em tempo real
Soluções sólidas exigem arquiteturas aptas a processar dados em larga escala. O relatório aborda o desenvolvimento de recursos regulatórios que visam suportar essa transformação. Como aponta a Advocacia-Geral da União, a atualização de mecanismos oficiais, como o incremento em sistemas de devolução e os bloqueios cautelares, tem ampliado o repertório de defesa.
A criação conjunta de soluções é outro pilar abordado. O diretor de inovação e estratégia da Fenasbac, Rodrigoh Henriques, destaca polos como o LIFT Lab e o LEAP (iniciativas envolvendo o Banco Central e a CVM, respectivamente). Nesses ambientes, reguladores e o setor tecnológico projetam defesas que contemplam os cenários de ataques desde o seu desenho inicial.
Esse esforço coletivo impacta a experiência final. Os dados mostram que as instituições financeiras são reconhecidas pelos usuários que as consideram responsáveis principais pela proteção. A avaliação positiva em facilidade de denúncia alcança 51%, e as estratégias de prevenção marcam 48% de aceitação. O monitoramento proativo também avançou: 40% das vítimas descobriram a fraude por alertas de terceiros em 2026, um incremento em relação aos 34% de 2025, sendo 19% desses alertas originados pelos próprios bancos. Outro índice de evolução do ecossistema é o fato de que 20% das vítimas que formalizaram o relato obtiveram a recuperação de valores, mesmo que parciais.
Métricas rigorosas e fricção ajustada
Ao se defrontarem com o volume repentino de operações atípicas, muitas operações enrijecem seus critérios de aprovação de forma generalizada. Embora seja uma resposta comum, esse movimento gera impactos sistêmicos. Além das perdas financeiras diretamente relacionadas à fraude, o bloqueio impreciso gera o atrito na jornada do usuário, sobrecarregando o suporte, interrompendo fluxos de uso da plataforma e aumentando o custo de retenção de clientes legítimos.
Acompanhar falsos negativos e falsos positivos com a mesma métrica reposiciona o foco da operação. O papel da antifraude avança de um mero recurso de redução de perdas para um elemento estratégico de conversão. Quando finanças, produto e segurança monitoram o comportamento por canais e perfis específicos, a governança amadurece: deixa-se de discutir puramente sobre regras de suspensão, para calcular com precisão onde e como intervir sem que o limite de bloqueio destrua valor que deveria ser protegido. O resultado da restrição equivocada vai além do impacto operacional imediato; a falta de fluidez resulta na perda progressiva de confiança digital.
A orquestração do ecossistema e a plataforma FraudGate
O escopo do relatório inclui respostas de 58.900 pessoas em 42 países, reforçando que os padrões observados na América Latina se projetam como modelo do que outros mercados enfrentarão. Janelas curtas para intervenção, abordagens sociais fora da plataforma e a necessidade contínua de colaboração entre inovadores e entidades regulatórias configuram a base do novo ciclo.
A leitura profunda desse ambiente adverso originou o FraudGate. Formulado na operação de alta resiliência exigida pelo mercado nacional, o produto conecta Inteligência Artificial, motor de decisão e investigação preditiva para neutralizar ataques sem imobilizar o usuário genuíno. As instituições podem gerenciar requisições e pontuações complexas utilizando o módulo Cortex,o enriquecimento de informações com o Void, e acelerar a tomada de decisões por meio do Autopilot, assegurando as esteiras contínuas e sem fricções indevidas.
Fonte dos dados: GASA, O Estado dos Golpes Brasil 2026 (www.gasa.org).


